Colorido Colorido
Eu acordo como quem jamais dormiu, com a mesma essência de quem nasce, exalando perfume suave, cheiro da manhã. Olho pra ti e assustada tento saber por quanto tempo dormir, pouco impossível. Teus olhos alienados em mim não te deixaram se quer contar, contar o tempo, o tempo que passou, com tanta paz e serenidade em teus olhos percebo que é cedo demais pra pensar no que virá. Pergunto a ti se somos o que acho que somos, e aliviada te ouço dizer que realmente ainda somos.
Sinto algo que turba minha alma e faz-me cantar.
Tu faz com que eu cante, e deleite em teus braços, é como se todo o perigo que corremos valesse apena.
E realmente vale, pois quando vais, tento voltar para onde paramos.
Aquela paisagem desconhecida pela sociedade ludibriada, entra em nossas mentes, invadem nossos corações, e sem pensar no que virá nos deleitamos e a vontade é de ultrapassar toda a paisagem, entrar nela e não mais sair... O ventinho fresco da relva do mar sem água, tudo isso louco consigo entender, o dom. O dom do amor, poucos tem, pouquíssimos sentem, é como o perfume, não da para sentir de uma vez, você sente a primeira vez e quer
sentir sempre, como algo que se renova... E todos os dias, mesmo não sendo essa paisagem linda e única do mato indomado, onde não toca as mãos perfeitas do homem, mesmo nesse céu embasado da sociedade citada quero estar contigo, sendo tua cintilante estrela, sua amiga, sua amada, sua eterna namorada, aquela que mesmo distanciando-se sempre te levará onde for, tendo a certeza que no teu coração estarei não como a que entrou, como a que passou, mas como a que jamais saiu. E na viagem com meu grande amigo invisível tudo isso vejo mais real, e consigo desejar que isso só cresça nos fazendo maior, nos fazendo sentir melhor, conosco e com o celeste. Sinto o teu cheiro aqui ainda, mesmo depois do tempo, mesmo depois de o vento tê-lo levado, conseguir extrair um tanto de ti, e há reservas aqui em mim... Recordações do cheiro negro de pele.
" Contrariando"
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