Colorido Colorido


Paro aqui neste lugar agora  e imagino uma grande estrela, a que vejo nas noites em que o céu esquece o nublado frio, naquela tão brilhante destacada entre as demais, vejo tão somente meu ser refletido nela, vejo o quão cercada é, no entanto vive sozinha. Apesar de estar no meio de todas as outras ela é sozinha, e brilhante. Observo um pouco mais e vejo também outra estrelinha tão cintilante como a púrpura percebo o quão próxima se faz dela e vejo que não mais estou sozinho. Subo ao alto desse lugar onde passamos toda a parte de nosso tempo, onde escorremos toda a nossa madrugada em nossa intimidade. Enquanto dormes observo-te quão linda faz. Paro e vejo que é a estrelinha que aos poucos se mostra tão forte, mim fortalecendo.
Eu acordo como quem jamais dormiu, com a mesma  essência de quem nasce, exalando perfume suave, cheiro da manhã. Olho pra ti e assustada tento saber por quanto tempo dormir, pouco impossível. Teus olhos alienados em mim não te deixaram se quer contar, contar o tempo, o tempo que passou, com tanta paz e serenidade em teus olhos percebo que é cedo demais pra pensar no que virá. Pergunto a ti se somos o que acho que somos, e aliviada te ouço dizer que realmente ainda somos.
Sinto algo que turba minha alma e faz-me cantar. 
Tu faz com que eu cante, e deleite em teus braços, é como se todo o perigo que corremos valesse apena.
E realmente vale, pois quando vais, tento voltar para onde paramos.
Aquela paisagem desconhecida pela sociedade ludibriada, entra em nossas mentes, invadem nossos corações, e sem pensar no que virá nos deleitamos e a vontade é de ultrapassar toda a paisagem, entrar nela e não mais sair... O ventinho fresco da relva do mar sem água, tudo isso louco consigo entender, o dom. O dom do amor, poucos tem, pouquíssimos sentem, é como o perfume, não da para sentir de uma vez, você sente a primeira vez e quer
 sentir sempre, como algo que se renova... E todos os dias, mesmo não sendo essa paisagem linda e única do mato indomado, onde não toca as mãos perfeitas do homem, mesmo nesse céu embasado da sociedade citada quero estar contigo, sendo tua cintilante estrela, sua amiga, sua amada, sua eterna namorada, aquela que mesmo distanciando-se sempre te levará onde for, tendo a certeza que no teu coração estarei não como a que entrou, como a que  passou, mas como a que jamais saiu. E na viagem com meu grande amigo invisível tudo isso vejo mais real, e consigo desejar que isso só cresça nos fazendo maior, nos fazendo sentir melhor, conosco e com o celeste. Sinto o teu cheiro aqui ainda, mesmo depois do tempo, mesmo depois de o vento tê-lo levado, conseguir extrair um tanto de ti, e há reservas aqui em mim... Recordações do cheiro negro de pele.


" Contrariando"

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