Capuz
Acordei certa madrugada, e sentia dores, dores como de
parto, levantei-me pois havia perdido o sono, fui até a cozinha preparei um
leite e enquanto tomava vinha em minha mente coisas muito antes esquecidas, já
não lembrava a falta de um Pai, a ausência de um criador, a existência de um
Deus um Rei superior...
Sentei-me então e debulhava em lágrimas a minha insolência.
Não sabia o modo como mim via de cima, sabia que ainda mim olhava de onde
estava. Fiquei nervosa e mui envergonhada, embora tenha sofrido dores ainda mim
achava distante da humilhação.
De verdade eu queria mim humilhar, mim rasgar, deleitar-me
no seu colo ou mim jogar aos seus pés, não sei, queria ter chamado atenção,
queria que os seus olhos fosse fitos em mim, mas não achei por onde. Pensei...
Fiz errado, cometi um adultério verbal, quebrei a aliança e já não existem palavras
que mim defendam. Em mim carregava vida, na bolsa canguru que há aqui, havia
luz, o certo vindo do que foi errado, ainda com tanto pecado, quem mim olhasse
dos quatro cantos do mundo saberia que carregava em mim vida, e seria por
longos meses fonte de luz.
Quis que olhasse para mim, quis que mim visse... Mim viu.
Como mim viu? Que olhos usastes? Os de um Criador? De um mestre? Ou de um pai?
De fato tudo que eu queria era ser pega em teus braços e de
novo ser chamada de filha, queria não ter que sentir mais a sua ausência,
queria só te ouvir e durante a minha existência poder cantar pra ti... Sabia
que falando contigo não ia mesmo conseguir desabrochar tantas palavras, esteja
certo que usei meu coração, falei como filha.
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