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Mostrando postagens de abril, 2011

Vulgária verniz

“Que “ salto dado naquelas ruas. O “salto” usado nas esquinas suas. Caminhos sem destino os seus, Tanto meus quanto seus... Mais seus. Andas sem rumo algum pra chegar. Sem alvo nenhum pra acertar. Seu  salto mede sete centímetros, Os meus a um palmo. Tal eleva suas longas pernas, soltas, em seu longo vestido. Protege-se com seu suéter rosa verniz, Escondendo com seu capuz todo o seu rosto. Atrapalhando a visão de quem a ver. Na sua mão direita o que lhe afasta de todos, Na sua esquerda o seu doce objetivo. De ambos os lados suas malas a acompanha... Chora seus olhos apertados. Chora sua doce amargura. Sua branda tristeza, Sua profunda dor. A elegância de sua postura atrai à visão de quem a procura. Seu valor é extremamente alto, Durante do coração dos que a amam. Seu sentimento indefinido não espera nada de ninguém. Seu prazer é viver, seu prazer é achar que vivi. Acha-se no centro, Mais não se localiza no me...

CORAÇÃO NEGRO

Ó coração que tanto bate sem bater, Que pulsa sem sentir, Que chora sem se amar. Coração que negro persiste em estar. Que se quebra, quando cai é como vidro. Quando se ergue vai ao pedestal. No fogo queimando é como ouro, Como pedra a se lapidar. A cada esquina sonha em encontrar, uma jóia pra se amar. Suas lágrimas tocam o chão. Torna-se negra essa água que jorra do seu olhar. Sem querer se entristece e logo volta a se animar. Bate, bate coração, No peito desatina, parece que vai saltar. Cavalga sobre as veias,  Corre como as corretes de um rio, até tornar-se ao mar. Coração negro, que ama sem se amar.  

MINHA DOCE FLOR

Cheguei logo cedo, Pendurei meu paletó e meu chapéu no cabide da sala. E atrás da porta ficaram as cartas que ela me deu. Prometi lê-las todas hoje. Mais não consigo me limpar. Não consigo limpar meu coração, Pra poder ouvi aquelas palavras doces, Que provavelmente estarão escritas ali. Prometi levar a sério o meu bem. Minha doce flor. Mais hoje me encontro amargo pela dor, Presa em meu pensamento, Prometi não misturar minha opressão no meio de sua doçura. E quando ler, prometi  guardar na mala do meu coração. Prometi levar em minha bagagem toda a felicidade que construiu pra nós. Prometi sonhar com minha flor, Prometi viver com minha flor, Mais ficará pra amanhã os sonhos com meu doce amor.

OUTONO OU INVERNO?

Dias frios outra vez enfrento, Em que as tristezas, as desolações, vêm ao meu encontro, Sem se quer chamá-las. Deito-me debaixo do cobertor, E começo a imaginar; Começo pensar em você. Nesse você não conhecido. Alguém não escrito. E posso aos poucos sentir uma lágrima gelada que brota dentro de mim. Essa lágrima se faz quente, E toca minha face fria. Meu choro é meu alívio. Minha certeza é também minha incerteza. Tudo começa e termina assim. As madrugadas que enfrento, São as piores das noites de outono, São as melhores das dores do inverno. Quantas horas  paro dentro aqui, Pra pensar, pra chorar... Sei que não é perdido, Sei que não é em vão. Geram em mim sentimentos, Sonhos intercalados pelo meu subconsciente. Sonhos que sonhei em não sonhar, Que pensei em viver. Penso como tudo sendo mais fácil, E aos poucos essa facilidade vai se acabando, Vai se perdendo. Às vezes me entristeço, Às vezes penso que n...

ALGUÉM

Um telefonema alivia minha dor. E as vozes daquela prisão aos poucos desaparecem, Ouço cada vez mais distante os gritos desesperados que me tiram a paz. Acredito ser diferente de tudo que vi. De tudo que ouvi enquanto longe estava. Loucuras demais pra minha cabeça vazia, E ao mesmo tempo cheia de porquês que não se calam, Que aos poucos me calam. Aproximam-se as horas finais, em que alguém terá que falar. Alguém sempre fala. Aos quarenta e oito do segundo tempo, alguém sempre fala. E todos sempre esperam que alguém fale. E no momento que ninguém quer falar alguém sempre se manifesta. Quanta dor desses momentos, Que friamente dizem não. E o ”NÃO” parece não apagar da mente as doces ilusões que criamos, Quando a espera de alguém, estamos.