Antigas Cartas






Algo transborda de me, fluiu aqui, Não haviam torneiras abertas, mas sentir. Surgiu d'um espaço fechado cuja fonte não mais estancava, a repreza se soltou... De me fluiu água, fonte desejável, fluiu vida, e pude sentir. Como o vento que sopra no quintal, e o frio que traz vagas recordações, sentir estancar certa razão. Viajei tão longe a procura de um retrato que me troxera a lembrança d'um quadro que se fazia ao lado da sala...visitei por muito os aposentos de certa casa, e muita bagunça, algo mim trouxera lembranças... o retrato procurado, não encontrei... O físico era vazio, a imagem não mais existia, e era apenas um quadro.
Era um quadro de moldura dilacerada,
Não havia ninguém, a memória presa no retrato sumiu, e ninguém mais viu, sentir, lembranças que estancavam de me.
Os sonhos passados, todas as decisões que juntos tomávamos, os projetos, estavam tudo no retrato da casa, abandonada.
Era inverno, sentia-me gelada, porém minha alma saltava de alegria, li todas as cartas escritas de um jeito tão doce, não escrevia nada, mas do nada sinto a inspiração ultrapassar o eu do coração. Meu pensamento flutuava de encontro a paixão que mim levara a escrever algo tão melancólico, sinto como se algum dia tivesse sentido, como se meus sentimentos ainda fossem e estivessem correspondidos, embora saiba que a corrente estanca fluídos de minh'alma. As cartas continuam espalhadas pelo chão da casa antiga, mas a água que flui de mim as levam pro fundo do quintal, e não mais voltarão para o baú, donde guardadas estavam, até a chuva da primavera passar.


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