Recordações



O belo jaz, e já não se sabe quanto tempo faz, que nada se faz. 
No depósito onde tudo ficava, guardava-se um baú com tantas recordações, recordações outrora tão bem vividas, tão bem compartilhadas, esquecidas pelo velho de cabeça branca. Alguém recolhia as relíquias daquele amor, molhado pela chuva, queimado pelo sol, tocado pelo vento, mas inabalável. Alguém colhia as rosas do jardim para enfeitar a sala, alguém podava os lírios, alguém apenas sentia o perfume, eu o sentia. Era tardinha quando as ultimas lágrimas debruçavam pelo o rosto cansado, pude contemplar de longe, trazia-lhe as flores do dia, ao vê-lo todas caíram, saudades já sentiam. De que lhe adiantava a vida sem sua razão, viveu-se muito sem bons motivos, sofreu-se tanto a falta de sua ilusão, chorava a muito pela perda de seu lírio, seu doce amor. Seus olhos então fechados aproximei-me e em seu último suspiro levou consigo o perfume dos lírios, lembro-me de sua histórias contadas com tanta perfeição, tão bem vividas, podia imaginar a cena com sua amada, momentos esplendidos de amor, como diriam hoje tudo tão fictício pra mim ainda tão real, sua lição ficou em meu coração, o único romance de que  mim recordarei por toda a vida, o qual sonho que seja em algum dia meu, ele cuidava do jardim, pois era a única maneira de estar com sua flor, com seu lírio predileto, o que lhe fez tanto rir, e o que tanto lhe fez chorar, a tarde caía-lhe como um véu a rasgar, a velha manhã passada deixava-lhe saudades de fazer brotar, e brotava-lhe lagrimas no rosto, quando via no seu jardim uma rosa a faltar. Embrulhado se pôs na cama, e pensava liricamente no seu grande amor que já não ali estava, batia-lhe uma saudade, e a sentia tão devagar, com cuidado, como se abrisse um presente cuidadosamente, algo quebradiço
 algo de grande valor. Sentiu o frio bater no seu rosto mas sabia que logo mais na aurora que viria, poderia cantar a linda canção com que os pássaros harmonicamente cantam ao amanhecer.  estar no jardim significava muito mais do que apenas podar rosas, podava sua alma, curava sua dor. Seu prazer era beijar as rosas uma a uma todas as manhãs, pois assim acordaria seu lírio, seu amor, talvez por suas constantes idas ao jardim achava outro sonhador que o orvalho era as lágrimas do pobre velho apaixonado quando na verdade era a saudade que sentia seu amor.. Poucos se comunicam com as flores, poucos conhecem os rosas, mas ninguém  amou tanto um lírio quanto o moço que de tão velho morreu de amor.


Diria outros, Se se morre de amor ? Não. Não se morre, Se vive, se vive pelo amor.


Conversas foram, Hosea olive and Lily.

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